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Por trás de um vivro: O Buraco

18 de Maio de 2020 | 4 minutos para ler

Escrito por Rafael Eiki e ilustrado por Rafael Lamarques, “O Buraco” é a primeira obra publicada da Editora Vivros. Em um livreto de 12 páginas, a obra conta a história da dupla Diego e Péina, tentando resolver os mistérios que cercam a floresta. Com pop-ups físicos, mini-games e 10 finais possíveis, a história se desenrola em idas e vindas.

Spoiler alert!

Se você não quer saber sobre detalhes que podem interferir em como o livro é lido, é melhor parar por aqui. Serão falados algum detalhes da história e da interação. Se você é um pai ou alguém que planeja dar o livro para alguém, pode continuar!

A ideia para “O Buraco” surgiu a partir de 3 conceitos principais: valores sociais, preservação ambiental e vida marinha. São conceitos que fazem parte da proposta educativa e criativa da Vivros, importantes para crianças que estão na fase inicial de letramento.

Em termos de conteúdo, tudo partiu de uma pesquisa sobre vida marinha. Entre anfíbios, peixes e outras criaturas do mar, uma se destacou: os polvos. Em muitas histórias e narrativas, os polvos são vistos como monstros marinhos, seres poderosos e medonhos que vagam pelos mares. No entanto, um fato curioso da espécie Graneledone boreopacifica despertou o interesse em escrever sobre eles. Nessa espécie, a mãe polvo choca os ovos por até 4,5 anos, e não se alimenta durante o período, focada apenas em cuidar dos seus filhos.

Mãe polvo

Foto do polvo chocando os ovos (Foto: Reuters/MBARI/Eurekalert.org)

Esse comportamento extremo de proteção é mostrado em “O Buraco”. O que a primeira vista pode parecer um vilão, o polvo - na verdade, a Mãe Polvo - é um personagem que está fazendo de tudo para poder cuidar de seus ovos. No entanto, partes dessa história são reveladas em cada final alternativo, tornando o surgimento do polvo misterioso.

Criar a história em torno do polvo foi fácil com os conceitos iniciais. Começamos a pensar no vilão, e o único ser possível era o humano, através de caça e exploração dos animais, bem como outros danos à natureza. Para colocar o tom infantil, os personagens Diego e Péina formam uma dupla cômica improvável: um predador (lontra) e a presa (peixe).

Enquanto Diego é mais frio e fechado, Péina é alegre, corajoso e…diferente. Por ser um peixe com pernas, Péina se sente excluído, mas consegue a aceitação do seu amigo. Diego segue mais o padrão das lontras, sendo inteligente e agindo de forma solitária. A combinação de crianças introvertidas e extrovertidas foi uma referência para a química da dupla.

Desenho do peixe com pernas Péina

Péina, o peixe com pernas, personagem de "O Buraco".

Os pop-ups e interações da história foram criados para que houvesse uma grande interação com o livro físico. Com diversos pop-ups de funcionamento diferentes - buracos, dobraduras, itens escondidos, tentáculos móveis -, o livro exige a atenção do leitor para ser explorado completamente. Os finais abordam o passado e o futuro de diferentes personagens, alguns até menos percebidos, como a cobra.

O livro foi pensado e desenvolvido para crianças com leitura independente a partir de 7 anos, com textos curtos, muita ilustração, letras bastão (de forma) e várias formas de aguçar a curiosidade dos pequenos, desde interações físicas, curiosidades sobre animais marinhos e toques de humor e magia.

As pedras mágicas presentes no livro fazem parte da construção do imaginário da criança. Apesar de apresentar características de uma fábula, não existe uma moral clara explícita no livro físico. Isso está espalhado pelo texto físico-virtual e dentre os finais da história. Cada final foi desenvolvido para ajudar a construir os demais, tornando a leitura uma atividade que exige uma posição ativa do leitor.

Gostou do livro? “O Buraco” está disponível a venda na loja da Vivros.